O Imposto Único de Circulação (IUC) divide os veículos ligeiros de passageiros em duas categorias, A e B, consoante a data da primeira matrícula. Este guia explica o que distingue cada categoria, como se calcula o imposto e qual paga mais, com as tabelas de escalões e exemplos de 2026.
A Categoria A do IUC (Imposto Único de Circulação) abrange os veículos ligeiros de passageiros cuja primeira matrícula foi emitida até 30 de junho de 2007, inclusive. Nesta categoria, o imposto é calculado apenas com base na cilindrada do motor, no tipo de combustível (gasolina ou gasóleo) e no período da matrícula — as emissões de CO₂ não são consideradas. Existem três faixas temporais: 1996 a junho de 2007 (a que paga mais), 1990 a 1995 e 1981 a 1989; os veículos matriculados antes de 1981 estão totalmente isentos de IUC. Os valores são, em geral, baixos: um carro a gasolina de cilindrada média paga entre 20 e 62 euros por ano. A Categoria A herdou a lógica do antigo «selo do carro», que o IUC substituiu em 2007, e mantém-se como o regime mais simples e mais barato do imposto.
A Categoria B do IUC aplica-se aos veículos ligeiros de passageiros cuja primeira matrícula foi emitida a partir de 1 de julho de 2007, data em que o Imposto Único de Circulação substituiu o antigo selo do carro. Nesta categoria, o imposto é calculado com base em quatro componentes: a cilindrada do motor, as emissões de CO₂ (medidas pela norma NEDC ou WLTP), um coeficiente que depende do ano da matrícula e, nos veículos a gasóleo, uma taxa adicional. Esta lógica ambiental faz com que os veículos da Categoria B paguem, em regra, valores mais elevados do que os da Categoria A: um carro a gasolina de 1.6 de 2018 com 110 g/km paga cerca de 148 euros por ano. Em contrapartida, os veículos 100% elétricos da Categoria B estão totalmente isentos de IUC, como incentivo à mobilidade elétrica.
Para saber a categoria do seu carro no IUC, basta verificar a data da primeira matrícula do veículo: se foi emitida até 30 de junho de 2007, o carro pertence à Categoria A; se foi emitida a partir de 1 de julho de 2007, pertence à Categoria B. Conta sempre a primeira matrícula do veículo, e não a data em que o comprou nem a do registo em Portugal — um carro usado de 2005 comprado em 2024 continua na Categoria A, e um carro importado da Alemanha matriculado lá em agosto de 2007 fica na Categoria B. A data da primeira matrícula consta do Documento Único Automóvel (DUA) e pode também ser confirmada no Portal das Finanças ou através da calculadora do AutoConsulta, que determina automaticamente a categoria e o valor do imposto a partir da matrícula.
A data-chave: julho de 2007
O IUC na Categoria A é calculado através de uma consulta direta de tabela, cruzando a cilindrada do motor com o período da primeira matrícula e o tipo de combustível. Para veículos a gasolina matriculados entre 1996 e junho de 2007, os escalões vão de 19,90 € (até 1.000 cm³) a 512,23 € (mais de 3.500 cm³); os períodos 1990–1995 e 1981–1989 têm valores progressivamente mais baixos. Os veículos a gasóleo usam escalões de cilindrada diferentes e valores que já incluem a taxa adicional de gasóleo. Não há fórmulas, coeficientes nem emissões de CO₂ a considerar: dois carros a gasolina com a mesma cilindrada e do mesmo período pagam exatamente o mesmo IUC. Os veículos matriculados antes de 1981 estão isentos e, sempre que o valor apurado seja inferior a 10 €, o imposto não chega a ser cobrado.
| Cilindrada (cm³) | 1996 — Jun 2007 | 1990 — 1995 | 1981 — 1989 |
|---|---|---|---|
| Até 1.000 | 19,90 € | 12,20 € | 8,80 € |
| 1.001 — 1.300 | 39,95 € | 22,45 € | 12,55 € |
| 1.301 — 1.750 | 62,40 € | 34,87 € | 17,49 € |
| 1.751 — 2.600 | 158,31 € | 83,49 € | 36,09 € |
| 2.601 — 3.500 | 287,49 € | 156,54 € | 79,72 € |
| Mais de 3.500 | 512,23 € | 263,11 € | 120,90 € |
Os valores para gasóleo já incluem a taxa adicional de gasóleo aplicável a esta categoria.
| Cilindrada (cm³) | 1996 — Jun 2007 | 1990 — 1995 | 1981 — 1989 |
|---|---|---|---|
| Até 1.500 | 22,48 € | 14,18 € | 10,19 € |
| 1.501 — 2.000 | 45,13 € | 25,37 € | 14,18 € |
| 2.001 — 3.000 | 70,50 € | 39,40 € | 19,76 € |
| Mais de 3.000 | 178,86 € | 94,33 € | 40,77 € |
A isenção para matrículas anteriores a 1981 protege os veículos clássicos, que continuam sujeitos às restantes obrigações legais, incluindo a inspeção periódica (IPO).
O IUC na Categoria B é calculado somando a taxa de cilindrada à taxa de emissões de CO₂, multiplicando o resultado pelo coeficiente do ano da matrícula e, nos veículos a gasóleo, somando ainda uma taxa adicional no final. A taxa de cilindrada varia entre 31,77 € (até 1.250 cm³) e 435,84 € (mais de 2.500 cm³); a taxa de CO₂ depende da norma de homologação (NEDC ou WLTP) e vai de 65,15 € a 363,25 €; o coeficiente vai de ×1,00 (matrículas de 2007) a ×1,15 (2010 e seguintes). Os veículos matriculados a partir de 2017 nos dois escalões de emissões mais altos pagam ainda uma taxa adicional de CO₂. Os veículos 100% elétricos estão isentos de IUC nesta categoria; os híbridos, incluindo plug-in, pagam normalmente. As tabelas seguintes detalham cada uma das quatro componentes do cálculo.
IUC = (Taxa Cilindrada + Taxa CO₂ + Taxa Adicional CO₂) × Coeficiente Ano + Taxa Adicional Gasóleo
A taxa adicional de gasóleo aplica-se a todos os veículos a gasóleo da Categoria B, independentemente do ano da matrícula.
| Cilindrada (cm³) | Taxa |
|---|---|
| Até 1.250 | 31,77 € |
| 1.251 — 1.750 | 63,74 € |
| 1.751 — 2.500 | 127,35 € |
| Mais de 2.500 | 435,84 € |
A tabela aplicável depende da norma de emissões do veículo: NEDC (veículos até 2018/2019) ou WLTP (veículos a partir de 2019/2020).
| NEDC (g/km) | WLTP (g/km) | Taxa CO₂ | Adic. (≥2017) |
|---|---|---|---|
| Até 120 | Até 140 | 65,15 € | 0,00 € |
| 121 — 180 | 141 — 205 | 97,63 € | 0,00 € |
| 181 — 250 | 206 — 260 | 212,04 € | 31,77 € |
| Mais de 250 | Mais de 260 | 363,25 € | 63,74 € |
| Ano da 1.ª matrícula | Coeficiente |
|---|---|
| 2007 | × 1,00 |
| 2008 | × 1,05 |
| 2009 | × 1,10 |
| 2010 e seguintes | × 1,15 |
Aplica-se apenas a veículos a gasóleo e é somada no final, após a aplicação do coeficiente.
| Cilindrada (cm³) | Taxa adicional gasóleo |
|---|---|
| Até 1.250 | 5,02 € |
| 1.251 — 1.750 | 10,07 € |
| 1.751 — 2.500 | 20,12 € |
| Mais de 2.500 | 68,85 € |
A Categoria B paga, em regra, mais IUC do que a Categoria A para veículos equivalentes, porque soma a componente de CO₂ à cilindrada e aplica um coeficiente multiplicador. Um carro a gasolina de 1.400 cm³ da Categoria A (matrícula entre 1996 e junho de 2007) paga 39,95 € por ano; um carro com a mesma cilindrada na Categoria B, mesmo com emissões moderadas, ultrapassa facilmente os 100 €. A diferença acentua-se nos veículos a gasóleo, que na Categoria B suportam uma taxa adicional, e nos matriculados a partir de 2010, cujo coeficiente de 1,15 agrava a soma das taxas em 15%. As exceções invertem a lógica: os elétricos da Categoria B não pagam nada, enquanto na Categoria A só os veículos anteriores a 1981 estão isentos. O quadro seguinte resume as diferenças e os exemplos mostram o impacto real.
Veículo: Renault Clio 1.4 Gasolina, matriculado em março de 2005
Categoria: A (matrícula anterior a julho de 2007)
Cilindrada: 1.390 cm³ → escalão 1.301 — 1.750 cm³
Período: 1996 — junho de 2007
IUC a pagar = 62,40 €
Veículo: Peugeot 308 1.5 BlueHDi, matriculado em maio de 2015, 109 g/km CO₂ (NEDC)
Categoria: B (matrícula posterior a julho de 2007)
1. Taxa cilindrada: 1.500 cm³ → escalão 1.251 — 1.750 = 63,74 €
2. Taxa CO₂: 109 g/km NEDC → escalão até 120 = 65,15 €
Taxa adicional CO₂: 2015 < 2017 → 0,00 €
3. Coeficiente: 2015 → × 1,15
Subtotal: (63,74 + 65,15 + 0,00) × 1,15 = 148,22 €
4. Taxa adicional gasóleo: 1.500 cm³ → escalão 1.251 — 1.750 = 10,07 €
IUC a pagar = 148,22 + 10,07 = 158,29 €
Sem a taxa adicional de gasóleo, o mesmo carro a gasolina pagaria 148,22 €.
Veículo: Tesla Model 3, matriculado em setembro de 2020
Categoria: B (matrícula posterior a julho de 2007)
Combustível: 100% elétrico
IUC a pagar = 0,00 € (isento)
Sim. A categoria depende da data da primeira matrícula do veículo, em qualquer país, e não da data de importação ou de registo em Portugal. Um carro matriculado pela primeira vez na Alemanha em 2005 pertence à Categoria A, mesmo que só tenha sido legalizado em Portugal em 2024.
São duas normas de medição das emissões de CO₂. O NEDC, mais antigo, apresenta valores mais baixos; o WLTP, mais recente e realista, apresenta valores mais altos. Por isso, a tabela de CO₂ do IUC tem escalões diferentes para cada norma. Em regra, os veículos matriculados até 2018 usam NEDC, os matriculados a partir de 2020 usam WLTP e os de 2018-2019 podem usar qualquer uma, conforme indicado no DUA.
Sim. Apenas os veículos 100% elétricos estão isentos de IUC na Categoria B. Os híbridos — mild hybrid, full hybrid ou plug-in — pagam IUC calculado com base na cilindrada do motor de combustão e nas emissões oficiais de CO₂. Como tendem a emitir menos, o valor pode ser inferior ao de um carro equivalente exclusivamente a combustão.
O não pagamento do IUC dentro do prazo constitui uma infração fiscal. A Autoridade Tributária pode aplicar coimas entre 15 € e o triplo do imposto em falta, acrescidas de juros de mora. Além disso, dívidas de IUC pendentes podem impedir o veículo de passar na inspeção periódica (IPO).
O IUC paga-se anualmente, durante o mês anterior ao mês da matrícula do veículo. Por exemplo, se o carro foi matriculado em março, o imposto deve ser pago durante fevereiro. O pagamento pode ser feito online no Portal das Finanças ou através de referência Multibanco gerada no próprio portal.
Os valores das tabelas do IUC podem ser atualizados anualmente pelo Orçamento do Estado, mas têm-se mantido estáveis: as tabelas de 2024, 2025 e 2026 são iguais. Ainda assim, convém confirmar os valores em vigor no início de cada ano, antes de efetuar o pagamento.
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